Por Paulo Bergsten Mendes
O mundo vai me engolir. No chão, há um abismo.
No acesso a esse buraco, uma calçada de pedras,
desenhada em um mosaico de bagunça e caos.
Quando entro nesse túnel, escuto: Há luz, no fim.
No fim do túnel, há esperança no fundo do poço.
A esperança, a última que morre, enfartou.
Lá fora, todos bêbados cantam. Chapados, todos parecem felizes.
Das cinzas, a Fênix ressurge. O recomeço de tudo.
Tristeza sem fim invade a Via Láctea. Não sei porque habito a terra.
Fale que todo mundo é feliz. Mentira, diz uma outra qualquer.
Acalme minha alma, por favor, enxergue meu coração.
Obrigado.
Eu ando por aí. Eu vago. Sem destino certo. Sinto-me desprezado. Por quem? Por mim, somente.
Quero me valorizar. Com valor e raça, ninguém me segura,
que nem aquele caminhão sem freio: virou na curva, e bateu no poste.
Que solidão. Cadê você? Eu e você éramos nós, uma conjugação
de primeiríssima pessoa.
Não quero parecer fraco. Sou forte. Forte de força de gravidade.
No fim do poço, há mais lama. No fim do túnel, surpresa, há trevas.
Isso para quem não acredita no amor. Rogai por nós, pecadores.
Pois quero casar com o amor. Ficar juntinho dele
na alegria e na tristeza, na prosperidade e na enfermidade.
Até que a vida nos separe. Amém.
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